A Revisão Tarifária Periódica (RTP) da Copel para 2026 esteve em discussão durante audiência pública promovida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), nesta quarta-feira (29), em Curitiba. Na ocasião, o Sistema FAEP, dezenas de presidentes de sindicatos rurais e agricultores de diversas regiões do Paraná questionaram a proposta de reajuste de 19,2% diante da realidade do meio rural. Isso porque, nos últimos anos, o setor agropecuário tem convivido com problemas frequentes no fornecimento de energia elétrica.
Os frequentes apagões no meio rural, que resultam no comprometimento da produção e em prejuízos financeiros aos produtores, foram lembrados pelo presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. Na sua fala, o representante do setor agropecuário paranaense afirmou que o índice de reajuste é abusivo diante da realidade no fornecimento de energia elétrica no meio rural e demais setores produtivos.
“Quando falta energia, o prejuízo no meio rural é imediato. Isso se tornou corriqueiro, comprovando que os investimentos que a Copel diz ter feito não chegaram aos consumidores, principalmente no meio rural”, destaca Meneguette. “É preciso rever os investimentos feitos pela Copel, pois estão enganando a sociedade paranaense. O Sistema FAEP pede reajuste na tarifa que, no máximo, reponha a inflação do ano passado.
Não pode ser um reajuste escutando apenas os argumentos da Copel”, complementa.
A falta de qualidade no serviço prestado pela Copel fica comprovada no ranking de continuidade do serviço divulgado em abril, pela Aneel. A empresa ficou na 27ª posição nacional nesse modelo de comparação, uma das últimas entre todas as operadoras do Brasil. Isso é ainda mais preocupante diante do fato de que a Copel atende 5,2 milhões de unidades consumidoras, sendo 500 mil no meio rural, em 396 municípios do Estado.
Prejuízos na prática
O veterinário e representante dos sindicatos rurais do Sudoeste do Paraná, Luís Augusto Carniel, relatou os problemas e perdas de 42 produtores do município de Marmeleiro. Apenas em uma propriedade, um pecuarista de leite já registrou a queima de cinco motores de ordenhadeira e quatro de resfriadeira, contabilizando prejuízo de R$ 40 mil.
“O campo não tem o fornecimento de energia elétrica de que precisa. Falta estrutura para atender as demandas dos produtores. Não é justo que o consumidor pague mais por um serviço deficitário”, diz Carniel.
O presidente do Núcleo Regional dos Sindicatos do Norte e Noroeste do Paraná (Nurespar) e produtor de ovos, Arnaldo Cortez sofre com picos e ausência de energia, o que causa transtorno. Nesta semana, no dia 27, Cortez ficou sem energia das 8 da manhã até as 14 horas em sua propriedade, no município de Cruzeiro do Sul. Isso atrasou o processamento de ovos e, consequentemente, a entrega dos produtos nos supermercados da região.
“Os supermercados cobraram por esse atraso e isso gerou prejuízo financeiro no custo de produção”, afirma o presidente da Nurespar. “Quando pagamos, apenas queremos uma energia que chegue com qualidade, que atenda as necessidades dentro da porteira”, complementa.
Cenário semelhante ocorre no município de Rio Azul, que conta com 3.980 unidades consumidoras no meio rural. Os produtores rurais têm encontrado dificuldade na secagem do tabaco, principal produto agropecuário local.
“O fornecimento de energia tem piorado muito nos últimos anos. Atualmente, a situação está um caos, com horas consecutivas às escuras”, relata o presidente do Sindicato Rural de Rio Azul, Airton Rigo Moretto. “A limpeza das linhas ficou abandonada, a Copel se afastou do consumidor e a área rural está na UTI. Se a empresa investiu mal, o consumidor não pode pagar por isso. É imprudente falar de reajuste da tarifa”, questiona.
“Ao longo desta audiência pública, os nossos produtores rurais relataram como há uma lacuna entre o serviço real prestado e a qualidade dita pela Copel. Na minha propriedade, semana passada, tive três quedas de energia, prejudicando a secagem de frutas”, conta Mesaque Veres, presidente do Sindicato Rural de Irati. “Confirmar o reajuste de 19,2% é premiar o péssimo serviço da Copel”, finaliza.
Fonte: FAEP
Foto: FAEP