A colheita da segunda safra de milho 2025/26 começou a ganhar ritmo mais intenso no Paraná, segundo o Boletim Conjuntural divulgado nesta quinta-feira pelo Departamento de Economia Rural, vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento.
Os trabalhos já atingem 10% dos mais de 2,9 milhões de hectares cultivados nesta temporada, um avanço em relação aos 5% registrados na semana anterior.
Esse ritmo mais lento reflete o comportamento do clima no Centro-Sul do país nos últimos três meses, onde o excesso de chuva, a nebulosidade persistente e as frentes frias elevaram a umidade dos grãos e frearam as máquinas.
De acordo com o levantamento, entre as áreas que ainda aguardam colheita, 61% das lavouras encontram-se na fase de maturação, enquanto os 39% restantes permanecem em frutificação.
Embora o Deral estime a safra paranaense em um patamar estável de 17,54 milhões de toneladas, o monitoramento segue atento no Oeste do estado, região que já enfrenta problemas pontuais de qualidade e riscos devido a geadas em lavouras tardias.
O relatório também mostra que a colheita está atrasada em comparação com as duas últimas temporadas. No mesmo período de 2025, os trabalhos já haviam ultrapassado 29% da área cultivada.
Em 2024, quando a colheita ocorreu em ritmo considerado atípico, o percentual já alcançava 66%.
O cenário contrasta com o de Mato Grosso, líder isolado da colheita nacional, que conseguiu acelerar o passo devido ao clima mais seco.
No plano macroeconômico, esse atraso no Sul ajuda a equilibrar a pressão sobre as cotações do milho no mercado interno, que lida com a forte entrada da safra recorde brasileira e oscilações nas exportações.
Apesar desse cenário de lentidão, o boletim do Deral indica que, sob a perspectiva do planejamento dos produtores, a concentração da colheita nos meses de julho e agosto não deve provocar gargalos relevantes durante a operação da safra.
A expectativa do setor é que a previsão de tempo melhor e o retorno do sol firme a partir de meados de julho limpem o horizonte e consolidem de vez o ritmo das colheitadeiras no campo
Fonte: DERAL