O cereal, estratégico para a segurança alimentar do País, perdeu competitividade diante de outras culturas e enfrenta um cenário de incertezas que levou milhares de produtores a reduzirem ou até abandonarem o plantio nesta temporada.
A consequência vai muito além da queda na produção nacional: o Brasil deverá ampliar sua dependência do trigo importado justamente em um momento de maior instabilidade climática e de oscilações no mercado internacional.
A combinação entre preços pouco atrativos, custos elevados de produção, dificuldade de acesso ao crédito e a previsão de um forte fenômeno El Niño formou um ambiente desfavorável para o produtor rural.
Mesmo antes da colheita, especialistas já avaliam que a menor oferta nacional poderá aumentar a necessidade de importações, principalmente da Argentina, tradicional fornecedora do cereal ao mercado brasileiro.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento, a área cultivada com trigo no Brasil deve atingir 2 milhões e 117 mil hectares, uma redução de 13,4% em relação ao ciclo anterior.
No Paraná, maior produtor de trigo do Brasil, a retração também é significativa.
A Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento estima que a área cultivada nesta safra alcance 722 mil hectares, contra 820 mil hectares registrados no ano anterior, redução de aproximadamente 12%.
O engenheiro agrônomo Carlos Hugo Godinho, do Departamento de Economia Rural, explica que o principal motivo da redução é econômico.
Os custos de produção praticamente permaneceram nos mesmos níveis da última safra, mas os preços recebidos pelos produtores continuam em queda.
Depois de recuar cerca de 25% no ano passado, as cotações permanecem deprimidas em 2026, comprometendo completamente a rentabilidade da cultura.
Fonte: O Paraná
Foto: Agro Marechal