O governo federal encaminhou o Projeto de Lei Orçamentária
Anual (PLOA) 2027. Na proposta, o Executivo destina R$ 1,2 bilhão para o
Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). No entanto, 73,5% dos
recursos estão vinculados a fontes condicionadas, que na prática, dependem de
vontade política para serem executadas.
Uma análise do PLOA 2027 indica uma diferenciação na origem
dos recursos destinados ao Seguro Rural. Do montante de R$ 1,2 bilhão, R$ 318,5
milhões tem como fonte recursos livres, ou seja, receitas ordinárias que vem da
arrecadação ordinária dos impostos. O restante, R$ 881,5 milhões, tem como
origem os recursos condicionados à Regra de Ouro. Essa receita não é executada
de forma automática. Para que ela ocorra depende de crédito suplementar por
meio de aprovação no Congresso Nacional ou da substituição de fonte. Uma
terceira possibilidade é caso haja uma arrecadação extraordinária, isto é,
arrecadar mais dinheiro do que o esperado.
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA),
deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), criticou a incerteza que o
arranjo orçamentário cria. “Não dá para termos uma agropecuária pujante,
competente e forte, como temos hoje, sem qualquer tipo de segurança e com um
seguro pífio, como o que temos atualmente”, afirmou.
A manobra feita pelo governo incrementa mais um degrau de
imprevisibilidade já que a maior parte dos recursos do PSR não está garantida.
Na leitura da vice-presidente da FPA, senadora Tereza
Cristina (PP-MS), esse movimento agrava o cenário do setor. “A falta de previsibilidade pode trazer
ainda mais danos para toda a agropecuária, porque o produtor já está endividado
e o risco climático aumentou com o Super El Niño. Isso é preocupante, sobretudo
porque risco e crédito caminham juntos: quanto maior o risco, maiores tendem a
ser os juros finais”, destacou.
Parcela livre equivale a 13,4% do valor para recuperar
níveis de 2021
Uma simulação do Centro de Estudos em Agronegócios da
Fundação Getúlio Vargas (FGV-Agro) mostra que o valor vindo de recursos livres
corresponde apenas a 13,4% do montante necessário para recuperar os patamares
do Seguro Rural em 2021.
A estimativa aponta que, com R$ 2,37 bilhões, seria possível
assegurar 13,45 milhões de hectares e beneficiar 209 mil apólices, alcance
semelhante ao de 2021 — ano em que o Seguro Rural registrou seu melhor
desempenho em abrangência. Mesmo com a liberação integral dos R$ 1,2 bilhão
previstos no PLOA 2027, o programa teria apenas 50,6% dos recursos estimados
como necessários para recuperar aquele patamar de cobertura.
A instituição de pesquisa também indicou que o governo vem
dando mais atenção para mecanismos posteriores às perdas do que para prevenção.
Um dos indicativos é o volume previsto para o Programa de Garantia da Atividade
Agropecuária (Proagro), que é cinco vezes maior do que todo o PSR.
“É muito mais racional apoiar seguro antes da perda do que
renegociar dívida depois da quebra. Quando o PSR é subfinanciado, o risco não
desaparece. Ele volta como inadimplência, renegociação, Proagro, socorro
emergencial e pressão sobre o orçamento público”, lembrou o coordenador do
Observatório do Crédito e Seguro Rural da FGV-Agro, Pedro Loyola.
Histórico ruim
A diferenciação nas fontes de recursos também remete ao
histórico recente ruim. Desde 2025, os recursos aprovados pelo PSR vêm sendo
bloqueados e contingenciados.
No ano passado, de R$ 1,06 bilhão aprovados na LOA 2025,
apenas R$ 581 milhões foram executados. Neste ano, o orçamento era de R$ 1,01
bilhão, mas cortes e bloqueios reduziram a disponibilidade para R$ 473,8
milhões.
Fonte: Assessoria










