Entidade defende que a PEC fere o princípio da isonomia,
previsto na Constituição Federal.
O Sistema FAEP está em diálogo com a Confederação Nacional
da Agricultura (CNA) para propor uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI)
contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que prevê o fim da
escala 6×1 e a limitação da jornada de trabalho a 40 horas semanais.
Um dos argumentos que podem fundamentar a ação é que a PEC
exclui do limite de jornada e do controle de ponto os trabalhadores com diploma
de nível superior e remuneração acima de 2,5 vezes o teto do INSS. Essa medida
vai contra o princípio da isonomia, uma cláusula pétrea da Constituição
Federal, pois estabelece uma distinção entre trabalhadores com base em
escolaridade e renda.
“Criar duas categorias de trabalhadores, uma com direito
constitucional à jornada limitada e outra sem, é vedado pela própria
Constituição, porque fere o tratamento isonômico”, afirma Ágide Eduardo
Meneguette, presidente do Sistema FAEP.
Meneguette ainda chama a atenção para o fato de que na
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado as 36 emendas apresentadas
para análise foram rejeitadas em bloco, para que o texto não voltasse à Câmara
dos Deputados, adiando a votação da PEC.
“É nítido que a aprovação da proposta foi um ato com
objetivos eleitoreiros e não uma ação genuinamente legislativa”, sustenta
Meneguette.
A ADI deve ser proposta pela CNA, enquanto o Sistema FAEP
auxiliará provendo informações da realidade do campo paranaense, para amparar a
discussão.
Impactos da redução da escala para o agro
A redução da jornada de trabalho custará R$ 4,1 bilhões ao agronegócio paranaense, segundo
estudo do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP. O valor é
referente aos salários e encargos obrigatórios para cobrir o vácuo operacional
do setor.
O agro paranaense já enfrenta problemas para suprir a
necessidade de mão de obra no campo. Com a aprovação da PEC, haverá uma demanda
súbita por milhares de novos postos de trabalho (107 mil novas contratações no
Paraná, segundo o mesmo levantamento da entidade), o que pode provocar um
colapso operacional.
A elevação súbita nos custos de produção e a escassez de mão
de obra no campo terão reflexo direto na mesa dos brasileiros. Ao encarecer o
processo produtivo, essa despesa adicional acaba sendo repassada ao consumidor
final. A pressão sobre os preços dos alimentos reduz o poder de compra da
população e torna cada refeição mais cara.
“Não podemos esquecer que o produtor rural paranaense
enfrenta, hoje, um cenário generalizado de endividamento, devido a fatores como
perdas climáticas, juros altos e queda nos preços das commodities”, diz o
presidente do Sistema FAEP. “Se o produtor ainda tiver que pagar volumes
massivos de horas extras e contratar mais trabalhadores, será inviável se
manter na atividade. E os custos da retração do agro não afetam só o campo, mas
a sociedade como um todo”, enfatiza.
Fonte: FAEP







