Temporal destrói lavoura de soja recém-plantada e prejuízo pode chegar a R$ 40 mil
Família de Bragantina estima que terá de replantar até oito alqueires.
O temporal que atravessou o Paraná na terça-feira (29) deixou um rastro de estragos que foi além de telhados arrancados e estruturas destruídas. No campo, produtores agora calculam quanto custará recuperar lavouras atingidas pelo vento e pelas demais condições adversas.
Em Bragantina, distrito de Assis Chateaubriand, no Oeste do Paraná, a família Lengert estima que terá que replantar entre sete e oito alqueires de soja.
Gian Lengert conversou com a repórter Gabi Lira, do Catve.com, e contou que a lavoura havia sido plantada no dia 18 de setembro, apenas 11 dias antes do temporal. A colheita estava prevista para o fim de janeiro.
Parte da plantação foi atingida, mas a expectativa é de recuperação das áreas menos afetadas. O problema está nos pontos onde os danos foram maiores e o replantio será necessário.
"Mais ou menos uns sete, oito alqueires que vai ter que replantar. O restante afetou, porém ele recupera", explicou Gian.
Prejuízo pode passar de R$ 40 mil
Além de perder o que já havia sido plantado, a família terá que desembolsar novamente para colocar a soja na terra.
Segundo Gian, considerando somente as sementes, o custo estimado do replantio fica em aproximadamente R$ 2 mil por alqueire. Caso seja necessário aplicar fertilizantes novamente, são outros R$ 3 mil.
"Se for só replantar semente sem utilizar fertilizante, uns R$ 2 mil por alqueire. Se for colocar fertilizante novamente, aí acrescenta mais R$ 3 mil por alqueire. Total de R$ 5 mil por alqueire", relatou.
Considerando oito alqueires e a necessidade de repetir também a aplicação de fertilizantes, o custo pode chegar a aproximadamente R$ 40 mil. E a conta não termina aí.
"Fora despesas com operacional, diesel", acrescentou o produtor. O valor é uma estimativa e dependerá das condições encontradas na lavoura e do que efetivamente precisará ser refeito.
Temporal deixou estragos no Oeste
Os danos na propriedade da família Lengert fazem parte de uma série de ocorrências registradas durante a passagem das tempestades pelo Paraná.
Em Toledo, a força do vento provocou estragos em diferentes pontos. O Aeroporto Municipal foi uma das áreas mais atingidas, com hangares destruídos ou danificados, veículos atingidos e mais de dez aeronaves afetadas, conforme levantamento inicial.
O Simepar analisou registros dos estragos e imagens de radar e satélite referentes às ocorrências de terça-feira em Toledo, Altamira do Paraná, Ivaiporã, Umuarama e Piraí do Sul. Até o momento, o órgão não identificou indícios de tornado nesses casos.
Segundo o Simepar, uma linha de instabilidade atravessou o Paraná a partir da tarde, enquanto uma frente fria avançava pelo Estado. O sistema provocou tempestades com fortes rajadas de vento e granizo em diferentes municípios.
As estações do Simepar chegaram a registrar rajadas de 105,12 km/h em Santa Maria do Oeste e 101,5 km/h em Umuarama. A previsão divulgada antes do evento já apontava potencial para tempestades fortes no Oeste e em outras regiões do Paraná.
Qual a relação com o El Niño?
O Paraná atravessa uma primavera sob influência do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial.
Segundo o Simepar, o fenômeno favorece condições de chuva acima da média no Paraná e aumenta a disponibilidade de calor e umidade na atmosfera, ingredientes que podem contribuir para a formação de tempestades.
Isso não significa, porém, que o El Niño possa ser apontado isoladamente como a causa do temporal de terça-feira. Eventos específicos dependem dos sistemas meteorológicos atuantes naquele momento. Neste caso, o Simepar havia indicado a passagem de uma frente fria associada a um ciclone extratropical, em um ambiente favorável à formação de tempestades intensas.
Fonte: Assessoria