O Brasil inicia o plantio da safra 2026/27 com potencial
para colher 58,2 milhões de toneladas de soja a mais que os Estados Unidos e
preservar uma liderança ampla na produção mundial. A primeira estimativa
oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta 181,64 milhões de
toneladas no País, enquanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos
(USDA, na sigla em inglês) projeta 123,42 milhões de toneladas para as lavouras
norte-americanas.
A diferença corresponde a quase metade de toda a produção
esperada nos Estados Unidos. Mesmo com a revisão positiva da safra americana,
anunciada em setembro, o Brasil deverá produzir aproximadamente 47% mais soja
que seu principal concorrente. O resultado mantém o País como maior fornecedor
mundial da oleaginosa e reforça o peso da produção brasileira na formação da
oferta internacional.
A estimativa da Conab representa crescimento de 0,7% sobre
as 180,41 milhões de toneladas colhidas em 2025/26. A área deve aumentar 1,4%,
de 48,61 milhões para 49,31 milhões de hectares, mas a produtividade média é
projetada em 3.683 quilos por hectare, queda de 0,8% em relação aos 3.711
quilos registrados na temporada anterior.
Os números mostram que a expansão prevista para a nova safra
será sustentada pelo aumento da área. Como a produtividade estimada é menor, o
desempenho dependerá da implantação das lavouras, da distribuição das chuvas e
das condições durante as fases de floração e enchimento dos grãos.
Em Mato Grosso, maior produtor nacional, a semeadura
alcançou 1,15% dos 13,05 milhões de hectares previstos, segundo o Instituto
Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). No mesmo período do ano
passado, 0,55% da área havia sido plantada. A média dos cinco ciclos anteriores
para esta época é de 0,94%.
O avanço acima da média indica que parte dos agricultores
aproveitou as primeiras chuvas e o início do calendário autorizado para colocar
as máquinas no campo. A semeadura, porém, ainda está concentrada em
determinadas regiões e deve ganhar maior ritmo à medida que a umidade do solo
se tornar mais regular.
O início antecipado ajuda a preservar a janela do milho e do
algodão cultivados depois da soja. Ao mesmo tempo, exige cautela em áreas onde
as chuvas foram isoladas, porque uma interrupção das precipitações após a
germinação pode provocar falhas de emergência e elevar a necessidade de
replantio.
Nos Estados Unidos, o USDA elevou a previsão da safra de 123
milhões para 123,42 milhões de toneladas. O resultado ficou acima das
expectativas do mercado, que apontavam uma possível redução para
aproximadamente 122,3 milhões de toneladas.
A revisão ocorreu apesar da diminuição da produtividade
projetada, de 53 para 52,7 bushels por acre. O aumento da área efetivamente
destinada à colheita compensou a redução do rendimento e ampliou ligeiramente o
volume esperado.
A oferta americana maior pode limitar altas mais fortes nas
cotações internacionais durante a colheita nos Estados Unidos. O balanço
divulgado pelo USDA, contudo, não indica formação de estoques excessivos. A
projeção para as reservas finais americanas caiu de 8,71 milhões para 8,44
milhões de toneladas.
A redução dos estoques está relacionada, em parte, à
expectativa de exportações mais elevadas. O USDA aumentou a previsão dos
embarques norte-americanos para 45,86 milhões de toneladas. Ainda assim, o
volume corresponde a menos da metade do que o Brasil costuma colocar no mercado
externo.
A produção mundial de soja foi estimada em 442,35 milhões de
toneladas. O Brasil deverá responder por cerca de 41% desse volume pela
projeção da Conab. Se considerada a estimativa do USDA, que calcula a safra
brasileira em 186 milhões de toneladas, a participação nacional sobe para
aproximadamente 42%.
A diferença de 4,36 milhões de toneladas entre as projeções
para o Brasil decorre das metodologias e dos calendários utilizados pelas duas
instituições. A estimativa da Conab é a referência oficial brasileira e será
atualizada conforme o plantio avance e as condições das lavouras possam ser
avaliadas em campo.
Os estoques mundiais foram projetados pelo USDA em 124,02
milhões de toneladas, ligeiramente abaixo da estimativa de agosto, mas acima
das expectativas do mercado. O quadro indica oferta confortável, embora sem
crescimento suficiente para retirar a importância do clima e da demanda na
formação dos preços.
A China permanece como elemento central desse equilíbrio. O
USDA manteve em 115 milhões de toneladas a previsão das importações chinesas em
2026/27, dois milhões de toneladas acima do volume estimado para a temporada
anterior. Essa demanda equivale a mais de um quarto de toda a soja que deverá
ser produzida no mundo.
Para o produtor brasileiro, a combinação entre oferta
elevada nos Estados Unidos, estoques globais próximos da estabilidade e compras
chinesas sustentadas recomenda atenção aos momentos de comercialização. A maior
safra americana pode pressionar as cotações no curto prazo, enquanto a redução
dos estoques nos Estados Unidos e a continuidade da demanda chinesa oferecem
sustentação ao mercado.
O Brasil começa a temporada com vantagem produtiva,
capacidade de exportação e plantio mais adiantado em Mato Grosso. A liderança
mundial está preservada pelas projeções atuais, mas a margem do produtor
dependerá menos do tamanho isolado da safra e mais do clima, dos custos, da
produtividade obtida e da estratégia adotada para vender a produção.
Fonte: Assessoria







