Os dois tornados registrados no Paraná, no intervalo de 24
horas, nos dias 9 e 10, atingiram os municípios de Francisco Alves, na região
Noroeste, e Espigão Alto do Iguaçu, na Centro-Sul. Os eventos climáticos
deixando lavouras destruídas e danificando estruturas, afetando centenas de
pessoas, segundo levantamento do Sistema de Tecnologia e Monitoramento
Ambiental do Paraná (Simepar).
De acordo com dados do Sistema Informatizado de Defesa Civil (SISDC), da
Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, dez municípios (Francisco Alves,
Espigão Alto do Iguaçu, Marechal Cândido Rondon, Almirante Tamandaré,
Chopinzinho, Manfrinópolis, Pranchita, Rebouças, Santa Izabel do Oeste e Três
Barras do Paraná) foram atingidos por diferentes eventos climáticos nos dias 9
e 10, somando 266 pessoas afetadas e 15 casas danificadas. Só em Espigão Alto
do Iguaçu, classificado como área de tornado, 200 pessoas contabilizaram
prejuízos.
Diante de novos estragos no meio rural, o presidente do Sistema FAEP, Ágide
Eduardo Meneguette, reforça o pedido de ações preventivas e de políticas
públicas voltadas às famílias rurais atingidas.
“Os relatos impressionam. Foram lavouras destruídas ainda na germinação,
galpões e barracões derrubados, confinamentos de gado atingidos, casas
destelhadas. É preciso, de forma urgente, que o poder público viabiliza ações
que permitam a recuperação das áreas atingidas e a retomada das atividades”,
aponta Meneguette. “Nossos supervisores e sindicatos rurais já estão atuando
nas regiões, verificando as primeiras necessidades dos produtores rurais para
auxiliar nas necessidades mais urgentes”, complementa.
Para o dirigente, os episódios recentes reforçam a necessidade de avançar em
políticas de proteção ao produtor rural, como a ampliação do acesso ao seguro
rural, agilidade no reconhecimento de situação de emergência nos municípios
atingidos e linhas de crédito para reconstrução de estruturas e reposição de
insumos. Meneguette também pede atenção especial da Copel às áreas rurais
atingidas.
“Boa parte das propriedades atingidas em Espigão Alto do Iguaçu ainda está sem
energia elétrica, o que compromete diretamente atividades como a produção de
leite, a fabricação de ração e a conservação de alimentos. O restabelecimento
nessas áreas rurais precisa ser tratado como prioridade, com o mesmo empenho
dedicado às áreas urbanas, já que a interrupção prolongada agrava ainda mais o
prejuízo desses produtores”, declara o presidente do Sistema FAEP.
O primeiro tornado ocorreu por volta das 17 horas de quarta-feira (9), em uma
área pequena. Apesar da curta duração, o fenômeno climático atingiu a
propriedade de Ricardo Travasso Raimondi, que viu a saraivada destruir cerca de
60 hectares de soja que já despontava do solo.
“Como plantamos cedo, a lavoura estava em início de germinação. Como caiu uma
quantidade grande de pedra, quebrou o talinho das plantas que já estavam para
fora”, relata. Ele ainda não conseguiu contabilizar o prejuízo com precisão
porque a chuva não permitiu o acesso à lavoura. A área não era segurada.
Raimondi ainda tem esperança de recuperar parte da lavoura com replantio, mas o
custo de novos insumos deve ampliar o prejuízo. “Estou de mãos atadas”, resume.
Comunidade rural atingida
O segundo tornado se formou por volta da 0h40 desta quinta (10), em Espigão Alto do Iguaçu. De acordo com Vanderlei Rohden, técnico do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná) no município, a região mais atingida foi a comunidade de Boa Vista de São Roque e arredores, onde muitas propriedades ainda seguem sem energia elétrica.
“No primeiro giro pela área, passei por vinte casas atingidas, galpões
destruídos, plantações de eucalipto derrubadas e confinamentos de gado
atingidos. Em um desses confinamentos, o poste acabou caindo e matando um
animal. Teve produtor que estava com a semente pronta para o plantio da soja,
mas foi molhada”, afirma.
O produtor Márcio Furman foi surpreendido durante a
madrugada. “Em poucos minutos, dois dos três barracões que tenho para guardar o
maquinário foram destruídos. Minha casa foi toda destelhada, e a casa do meu
pai, que fica próximo ali, uma árvore caiu e também provocou estragos”, conta.
A residência dele tem seguro, mas os barracões, não. “Só para refazer o
barracão vai uns R$ 30 mil, mas a chuva molhou tudo o que tinha: móveis,
eletrodomésticos. É difícil você olhar para todo o estrago”, diz, acrescentando
que muitos vizinhos também registraram estragos e que ainda estava sem energia
elétrica na tarde desta quinta.
Segundo dados da Copel, até as 15h desta quinta-feira (10), 10% do município de
Espigão Alto do Iguaçu ainda estava sem fornecimento de energia.
Fábrica de ração danificada
O produtor de leite Meysson Vetorello teve a fábrica de ração de sua propriedade, de 400 metros quadrados, completamente destruída. “A cobertura voou longe, molhou o milho e o farelo de soja, e a força do vento chegou a retorcer a estrutura de pé direito. Só não caiu porque estava bem amarrada. Eu estimo um prejuízo entre R$ 100 mil e R$ 200 mil”, relata.
A fábrica produzia cerca de cem toneladas de ração por mês para o rebanho
leiteiro. Vetorello conta que, em outra propriedade sua, a 13 quilômetros dali,
teve mais sorte, pois os insumos estavam armazenados e não molharam —
diferentemente de vizinhos que já haviam recebido adubo e perderam tudo.
Já na propriedade do produtor Leandro Bonotto, a seis quilômetros da cidade, a
lavoura de trigo se deitou com a força do vento e várias árvores foram
derrubadas. “Não sei se vai recuperar. Se não se levantar, não vou conseguir
colher. Aí o prejuízo será grande”, comenta.
Prejuízo também em Marechal Cândido Rondon
Além dos dois tornados, o Simepar registrou fortes
tempestades em diversas regiões do Paraná ao longo da madrugada, com rajadas de
vento intensas e queda de granizo pontual. Os maiores registros de vento foram
em Marechal Cândido Rondon (112 km/h, medição do Inmet), Ubiratã (95 km/h) e
Assis Chateaubriand (66,6 km/h). Os volumes de chuva também foram expressivos
em vários municípios, com destaque para Campo Mourão (100 mm), Sengés (67,6 mm)
e Jacarezinho (61,4 mm).
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon, Edio
Chapla, o vento também causou estragos no município. “O evento afetou
principalmente os telhados de algumas granjas no interior do município. Porém,
nosso maior prejuízo, agora, é o restabelecimento de energia elétrica”,
comenta.
O dirigente conta que os ventos fortes e chuva intensa provocaram danos nas
redes de alta tensão. “Desde a madrugada temos relatos de produtores que ainda
estão sem energia, ou com o fornecimento restabelecido de forma instável.
Estamos aguardando que a Copel normalize o mais rápido possível, porque a
energia é um insumo essencial para a nossa região, que tem grande produção de
proteína animal e de leite. Isso tudo traz prejuízo para o produtor rural”,
afirma.
Fonte: FAEP







