Cães, gansos e outras espécies funcionam como sistemas
naturais de alerta, auxiliando produtores a identificar movimentações suspeitas.
O latido insistente de um cachorro ou o grasnado de um ganso pode ser o
primeiro sinal de uma aproximação suspeita a uma propriedade rural. Antes mesmo
de câmeras registrarem movimento ou alarmes serem acionados, esses animais
costumam perceber alterações na rotina e alertar os produtores em relação à
presença de pessoas desconhecidas ou até predadores.
Embora sejam utilizados por proprietários como uma primeira
linha de alerta, cães, gansos, galinhas-d’angola e outras espécies não
substituem as demais medidas de segurança. Esses animais devem complementar uma
série de protocolos, como cercamento, iluminação, monitoramento por câmeras,
controle de acesso, comunicação entre vizinhos e integração dos agricultores
com as forças de segurança.
Essa atuação integrada é incentivada pelo Sistema FAEP, que
mantém parceria com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná
(Sesp), Polícia Militar, Patrulha Rural Comunitária, Polícia Rodoviária
Estadual e Corpo de Bombeiros para fortalecer a prevenção no meio rural.
“Segurança no campo não depende de uma única medida. Ela é
construída com planejamento, troca de informações e ações preventivas. Por
isso, disseminar práticas e estratégias ajuda a reduzir a vulnerabilidade nas
propriedades. Nesse conjunto, os animais também podem cumprir uma função
importante de alerta, desde que recebam os cuidados adequados e sejam
utilizados de forma responsável”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide
Eduardo Meneguette.
Alerta antes das câmeras
Na prática, é assim que o produtor rural e presidente do
Sindicato Rural de Ribeirão Claro, Marcos Minghini, organiza a segurança da
propriedade. Além de câmeras, iluminação inteligente, cercas e contato direto
com a Patrulha Rural Comunitária, Minghini utiliza cães e gansos como parte do
sistema de proteção da fazenda.
“Por mais que você tenha sistemas de câmeras e alarmes, a
sensibilidade de um animal antecipa qualquer atitude hostil. Considero os
animais como o primeiro front de alarme para nos alertar, mas é fundamental
utilizar também a tecnologia a nosso favor”, afirma.
O produtor Marcos Minghini, de Ribeirão Claro, mantém
cães de diferentes portes próximos à residência. Os da raça pastor-maremano,
protegem o rebanho, enquanto os border collies ficam atentos à movimentação.
A percepção aguçada dos cães é justamente uma das
características mais destacadas por especialistas em comportamento animal.
Segundo o criador e especialista em seleção de cães de guarda Eduardo Luiz de
Oliveira, da Cane Club Kennel, um bom animal reúne equilíbrio emocional,
coragem, autoconfiança, inteligência e forte instinto territorial. “Mais
importante do que o porte ou a fama da raça é a combinação entre genética,
temperamento e manejo adequado. Um cão eficiente sabe identificar uma ameaça
real e responder de forma proporcional”, diz.
Na propriedade, Minghini mantém cães de diferentes portes
próximos à residência. Os da raça pastor-maremano, protegem o rebanho, enquanto
os border collies, menores e ágeis, ficam atentos à movimentação. O produtor
nunca registrou furtos ou roubos na propriedade e acredita que a presença dos
animais contribua para afastar possíveis invasores. Ele também já testemunhou
situações em que os cães afugentaram predadores, como uma onça-parda, e
impediram a aproximação de outros animais. Em uma das ocorrências, a esposa do
produtor foi protegida pelo pastor-maremano durante a aproximação de um cão
desconhecido.
Bom cão se faz com manejo
Mais do que escolher uma raça conhecida, a eficiência de um
cão de guarda depende dos cuidados recebidos desde os primeiros meses de vida.
Segundo o 3º sargento Leandro André Soares, da Patrulha Rural Comunitária, que
atua na região de Capanema, no Sudoeste do Paraná, um cão equilibrado protege
melhor do que um animal estimulado a agir com agressividade.
“O bom cão de guarda depende de cinco pilares: saúde,
alimentação, bem-estar, treinamento e controle. Socialização, vacinação,
vermifugação, controle de pulgas e carrapatos e acompanhamento veterinário
precisam fazer parte da rotina”, destaca.
Os animais também precisam ter água limpa sempre disponível,
alimentação de qualidade, abrigo contra chuva, frio e calor, espaço para
correr, contato diário com os tutores e exercícios físicos.
Segundo o policial, manter o animal permanentemente
acorrentado, sem espaço ou interação, além de caracterizar manejo inadequado,
pode provocar estresse, ansiedade e alterações comportamentais. A falta de
socialização também aumenta o risco de ataques a visitantes, trabalhadores e
pessoas que prestam serviços na propriedade.
“O melhor cão de guarda é equilibrado, obediente e sabe
diferenciar uma situação normal de uma ameaça”, orienta Soares.
A avaliação é compartilhada pelo criador e especialista em
comportamento canino Eduardo Luiz de Oliveira, que desmistifica a informação de
que cães de guarda precisam ser grandes ou agressivos para proteger uma
propriedade.
“O verdadeiro cão de guarda avalia o ambiente, identifica
situações suspeitas e responde de forma proporcional. Um animal extremamente
agressivo tende a ser imprevisível e a oferecer risco à própria família,
funcionários e visitantes”, afirma Oliveira.

O criador e especialista em seleção de cães de guarda
Eduardo Luiz de Oliveira, da Cane Club Kennel, afirma que um bom animal reúne
equilíbrio emocional, coragem, autoconfiança, inteligência e forte instinto
territorial.
O treinamento também deve incluir comandos básicos,
obediência, socialização e reconhecimento da rotina da propriedade. Nos casos
de cães utilizados para proteger ovinos, caprinos ou aves, a aproximação com o
rebanho deve começar ainda quando o animal é filhote, para que desenvolva
vínculo.
Escolha do animal envolve diversos fatores
Para o produtor rural que pretende investir em um cão de
guarda, a recomendação é não decidir apenas pela aparência, porte ou preço. De
acordo com a orientação de Oliveira, o agricultor deve procurar criadores que
realizem seleção genética responsável e priorizem saúde, estabilidade
comportamental e aptidão para o trabalho.
O especialista também recomenda avaliar o espaço disponível
na propriedade, o tempo que será dedicado ao animal e os custos fixos com
alimentação, saúde e treinamento. Antes da escolha, é importante definir a
função do cão, já que um animal destinado exclusivamente à proteção do
patrimônio pode ter características diferentes daquele que também conviverá
diariamente com a família.
“Ter um cão de guarda é uma responsabilidade de longo prazo.
Bem conduzido, ele entrega proteção, companhia e equilíbrio; malconduzido, vira
risco e frustração”, resume Oliveira.
Além dos cuidados com a saúde e o comportamento, cabe ao
tutor manter controle sobre o cão. Cercas e porteiras devem impedir fugas, e o
acesso de visitantes precisa ser acompanhado. Também é recomendada a instalação
de placas informando a existência de cães de guarda.

Além dos cuidados com a saúde e o comportamento, cabe ao
tutor manter controle sobre o cão.
“O proprietário responde pelos atos praticados pelo animal e
deve adotar medidas para evitar ataques a terceiros, circulação nas estradas e
situações de maus-tratos. A castração também pode contribuir para impedir a
reprodução descontrolada, reduzir o abandono e facilitar o manejo”, reforça o
sargento Leandro André Soares, da Patrulha Rural Comunitária.
Cães sem raça definida também podem exercer função de alerta
e proteção. A eficiência depende menos da raça e mais do temperamento, da
saúde, da socialização, do treinamento e da relação construída com os moradores
da propriedade.

Fonte: FAEP










| CONTRATO | US$/bu | VAR | |
|---|---|---|---|
| MAR 2026 | 1.059,75 | -2,00 | |
| MAY 2026 | 1.072,00 | -2,00 | |
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