19/08/2026 15:04 |
Projeto envolvendo baterias foca no fornecimento de energia no campo
Com apoio do Sistema FAEP, propriedades rurais com energia solar poderão instalar o equipamento para garantir estabilidade no serviço e redução dos custos.

Os produtores rurais paranaenses que já operam com energia solar poderão ampliar a autonomia no fornecimento. Isso porque um projeto-piloto, promovido em parceria pelo Sistema FAEP, Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e a multinacional brasileira Weg, está implantando baterias em uma propriedade, com o objetivo de reduzir custos e proporcionar mais estabilidade em relação ao fornecimento de energia.

Com duração prevista de um ano, o projeto-piloto contempla, inicialmente, uma propriedade rural voltada à avicultura de postura, uma vez que a atividade tem demanda intensiva de energia. Posteriormente, é possível que outras fazendas participem da ação.

As baterias serão disponibilizadas pela empresa Weg, com base na demanda energética específica do produtor. “As baterias elevam o patamar de segurança operacional no meio rural, mitigando os riscos de perdas na produção e garantindo a continuidade das atividades essenciais de forma sustentável. Esse projeto, no médio prazo, pode contribuir para acabar com as perdas na produção agropecuária do Paraná, como temos vivenciado nos últimos anos”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “A iniciativa pode reduzir os contratempos e prejuízos financeiros que os nossos produtores estão contabilizando por conta da ineficiência da Copel”, complementa.

A busca por alternativas para energia acontece em um momento em que há registros de falhas no fornecimento de energia elétrica em todo o Paraná. Produtores rurais vêm sofrendo prejuízos milionários com as frequentes oscilações e quedas. Além disso, após o reajuste de tarifa que começou a vigorar no dia 24 de junho, estão pagando mais caro pelo serviço.

Em Tibagi, nos Campos Gerais, o avicultor Alessandro de Farias relata problemas causados pela oscilação de tensão na rede da Copel, chegando a registrar interrupções de até 72 horas no fornecimento. Sua propriedade conta com geração de energia fotovoltaica desde 2019, no entanto, quando falta energia da rede externa, a geração solar é desligada automaticamente pelo sistema de segurança, colocando as atividades agropecuárias em risco.

“Temos alojamento de 45 mil aves fêmeas e mais 5 mil machos, para produção de ovos férteis. Nossa demanda de energia é alta, devido à refrigeração constante dos ovos”, conta o produtor.

Farias recebeu, em julho, visita das equipes técnicas do Sistema FAEP, IDR-Paraná e Weg, para planejar a implementação do projeto-piloto das baterias em sua propriedade. “Espero que essa solução venha a suprir com excelência a nossa demanda de energia”, afirma.

Segundo Herlon Almeida, coordenador da Área de Energias Renováveis e Conectividade Rural do IDR-Paraná, a proposta é entender, a partir do projeto-piloto, a dimensão exata dos investimentos necessários para os produtores que optarem pelas baterias. Esse investimento depende da demanda de energia de cada atividade e da potência de geração solar própria de cada propriedade rural.


“Com base nesses indicadores, queremos estabelecer uma política pública de subvenção de taxas de juros. Já existe subvenção de 3% [para produtores que investiram em energia solar], mas estamos pensando em, se possível, elevarmos para cinco pontos percentuais de equalização na taxa de juros contratada por produtores de proteína animal, de fumo e agroindústrias”, diz Almeida.

O Programa Paraná Energia Rural Renovável (RenovaPR), do governo do Estado, incentiva a geração própria de energia (solar e biogás) no campo. Desde 2021, o programa oferece subsídio na taxa de juros do financiamento das placas fotovoltaicas (ou biodigestores), contratado por meio de uma linha de crédito rural de investimento. O governo estadual, agora, estuda incluir as baterias no RenovaPR, proporcionando equalização de juros dos financiamentos para os produtores que aderirem à tecnologia e adquirirem os equipamentos.

Como funcionam as baterias
Atualmente, no Paraná, há cerca de 50 mil propriedades rurais com geração de energia solar. Em geral, as áreas utilizam o sistema on-grid, que se conecta à rede elétrica da distribuidora. Durante o dia, a fazenda consome a energia gerada pelos painéis solares. Caso gerem mais do que a propriedade precisa, o excesso vai para a rede da distribuidora. Essa energia vira “créditos” na conta de luz.

A desvantagem desse sistema é que, se houver queda da rede elétrica da distribuidora, a energia solar também desliga (por segurança, uma vez que os sistemas estão conectados). Além disso, os produtores seguem dependentes da concessionária para ter energia durante a noite ou dias chuvosos, por exemplo.

A implementação de baterias, portanto, proporciona mais autonomia às propriedades. Isso porque o sistema primeiro abastece os aparelhos que estiverem ligados na fazenda e, em seguida, usa o excedente para carregar as baterias até seu limite. Se ainda sobrar energia, o restante vai para a rede da concessionária.

Em caso de apagão, o sistema se isola da rede externa e continua funcionando de forma independente, usando a carga das baterias. Assim, a iniciativa resolve problemas de segurança operacional, uma vez que a bateria garante que os sistemas críticos não parem. Além disso, reduz a dependência dos produtores em relação à concessionária e, a longo prazo, diminui os custos.

Fonte: FAEP

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